Beijos de dona Dondon
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Beijos de dona Dondon é um doce feito nas casas-grandes dos engenhos de açúcar pelas escravas africanas com receitas das sinhás, guardadas como segredo de família: "Os dois começos de realizações culturais de lusos em terras brasileiras", diz o sociólogo Gilberto Freyre.
À doçaria de engenho de influência portuguesa - que por sua vez tem influência moura e árabe, e que incorporou os valores ameríndios e africanos - se uniram os produtos autóctones, como a mandioca, o caju e a castanha. Ingredientes vieram, então, acrescentar-se a esse "cruzamento cultural": a canela do Oriente; a noz-moscada; e o cravo da Índia.
Origem
Em meio século da introdução da cana-de-açúcar no Brasil, em São Vicente(1532), o Nordeste já abrigava o que viria a ser a doçaria dos engenhos: com origem nas casas-grandes do Nordeste, "a doçaria dos engenhos" tomava nomes de famílias ou de engenhos, como Sousa Leão, Guararapes, tia Sinhá, Fonseca Ramos ou suspiros do "Noruega". Mas tudo condicionado pela realidade tremenda da escravidão. Sem a escravidão não se explica o desenvolvimento, no Brasil, de uma arte de doce.